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"Queria jogar para sempre"

A dois jogos de atingir 100 partidas pela Seleção, Thiago Silva recorda início em 2007, fala de Dunga, Tite, Copa 2014 e longevidade da carreira: "Não adianta gasolina adulterada"

Por (Redação) em 01/10/2021 às 18:42:42

Na carteira de identidade, são 37 anos, recém-completados no dia 22 de setembro. Destes, mais de um terço vestindo a amarelinha. Thiago Emiliano da Silva joga há 14 anos na seleção brasileira. O menino de Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, tinha 23 quando foi convocado por Dunga em 2007 e agora vai se juntar ao grupo que conta com apenas 14 atletas a atingirem a marca de 100 jogos nos 107 anos de história da equipe nacional.

Com fixação pela Copa do Mundo no Catar, Thiago pode ser o único zagueiro a disputar quatro Mundiais - 2010, quando ficou no banco, 2014, 2018 e, se tudo der certo, 2022.

Caso siga no grupo de Tite, que pode garantir a classificação nesta sequência de outubro com jogos contra Venezuela (7, em Caracas), Colômbia (10, Barranquilla) e Uruguai (14, Manaus), o veterano deve pisar no Oriente Médio como jogador mais velho a entrar em campo com a camisa amarela num Mundial - só ficaria atrás de Daniel Alves, que tenta chegar à Copa aos 39.

Em sua casa na Inglaterra, tendo como cenário uma sala de troféus de deixar com inveja grandes clubes do futebol – com canecos da França, da Itália, premiações de melhor brasileiro na Europa e três vezes eleito para a seleção da Fifa (2013, 2014 e 2015) –, Thiago Silva comentou diversos momentos vividos com a camisa amarela e lembrou da convivência curta, porém marcante com Maldini.

No fim de 2008, o garoto Thiago chegava ao Milan para atuar nos seis meses finais de carreira do ídolo rossonero. Mais de uma década depois, o brasileiro se guia nos ensinamentos do italiano e de outros companheiros de carreira longeva em alto nível.

– Passei a ter entendimento de que a alimentação era o meu combustível. E não adianta você botar gasolina adulterada que o carro não vai – explicou Thiago.

Essa gasolina adulterada atendia, principalmente, pela combinação de biscoito recheado de chocolate com Coca-Cola. Inclusive nas madrugadas. Thiago sorri com essa lembrança. Diz que entrou para o time de Daniel Alves, com salada e alimentação irrepreensível para se manter no topo. Hoje, aos 37, tem menos lesões do que quando era mais jovem.

– Claro que hoje eu não tenho a mesma explosão que eu tinha no Fluminense, mas tem coisas que eu não tinha no início e hoje eu tenho muita, que é a experiência. Você corta muito caminho, consegue ler muitas coisas antes delas acontecerem. Naquela época eu corria, mas não pensava. Hoje eu corro menos e penso mais, sabe? Estou com 37 anos, jogando em uma das principais ligas do mundo, num dos maiores clubes, em alto nível.

Convocado pela primeira vez depois do corte de Luisão, em agosto de 2007, o então tricolor Thiago Silva voltou a ser chamado por motivo de lesão de concorrente quase um ano depois, em junho de 2008, para substituir o ex-santista Alex, que estava no Chelsea.

A estreia foi contra a Venezuela, no segundo tempo da goleada por 4 a 0, na casa da "Vinotinto". Ele substituiu Juan, um jogador em quem ele sempre se espelhou.

Na Copa de 2010, Thiago Silva ficou no banco e assistiu a Juan e Lucio, a dupla titular absoluta da seu início de trajetória da Seleção e que o recebeu nos primeiros chamados. Thiago lembra que as brincadeiras com os novatos na primeira convocação (chamada de trote) eram mais formais - quem comandava, em outro tom, era Américo Faria, "com fisionomia de brabo, aquele bigodão", recorda.


Fonte: ge.globo

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